
ZelindaLima
Um portal dedicado à trajetória, às obras e ao legado de uma das maiores referências na preservação da memória cultural maranhense — do folclore à culinária, da fé do povo ao Bumba Meu Boi.

A guardiã da memória maranhense
Zelinda Machado de Castro e Lima nasceu no centro histórico de São Luís em 27 de novembro de 1926. Brasileira e espanhola, filha de pai galego e de mãe da tradicional família Castro, e neta de avó indígena, tornou-se autodidata, pesquisadora do folclore e membro da Comissão Maranhense de Folclore.
Técnica em contabilidade e administração, dedicou a vida à cultura popular do Maranhão em muitas frentes — turismo, patrimônio, artesanato, teatro e culinária. Ao seu lado esteve Carlos de Lima, imortal da Academia Maranhense de Letras, com quem teve seis filhos e reuniu um vasto acervo sobre a história do estado.
Uma vida, muitas histórias
Percorra a trajetória de Zelinda Lima, da infância em São Luís ao legado que moldou a cultura popular maranhense.
Zelinda Lima na infância, São Luís do Maranhão, 1926
Nascimento
São Luís do Maranhão
Zelinda Machado de Castro nasceu em 27 de novembro de 1926, em São Luís do Maranhão. Cresceu inicialmente na casa da Rua dos Afogados e, depois, no sobrado da Rua 14 de Julho, número 182, no Centro Histórico de São Luís.
Viveu simultaneamente em dois ambientes culturais distintos. No ambiente familiar, predominavam costumes franceses, forte preocupação com etiqueta, comportamento social e formação doméstica. No ambiente popular, representado principalmente pela avó, teve contato com histórias orais, culinária tradicional, mercados populares e a população comum de São Luís.
Essa convivência entre cultura erudita e cultura popular tornou-se uma das marcas de sua trajetória.
A família — o pai
Leôncio Cid Castro
Seu pai, Leôncio Cid Castro, era um imigrante espanhol oriundo de Pontevedra, na região da Galícia. Imigrou para o Brasil no início do século XX, passando brevemente por Manaus e Belém antes de se estabelecer em São Luís.
Era colecionador de livros e possuía uma biblioteca particular considerável. Zelinda teve acesso aos livros desde a infância, foi incentivada à leitura e estimulada a conhecer diferentes religiões, formas de pensamento e manifestações culturais populares. Conviveu com intelectuais, artistas e pessoas ligadas à cultura maranhense.
A família — a mãe
Rosemira Loyola Machado
Rosemira Loyola Machado veio de Caxias, no interior do Maranhão, para São Luís ainda pequena, acompanhada das tias. Casou-se com Leôncio Cid Castro contra a vontade da família e, após o casamento, mandou buscar sua mãe, Maria Loyola, em Caxias.
Dedicou-se ao lar e à criação dos filhos. Era reconhecida pela paciência, bondade e disposição para ajudar parentes e amigos. Deu à primeira filha o nome Zelinda como lembrança carinhosa de sua tia e mestra.
A avó
Maria Loyola — a maior influência
Maria Loyola era descendente de indígenas e oriunda da região de Nossa Senhora dos Remédios, no Piauí. Foi rejeitada pelo sogro em razão de sua origem social e racial. Viveu parte da vida em condições precárias na Fazenda Engenho d'Água, em Caxias.
Teve dois filhos — Walfredo Machado e Rosemira Machado — que foram separados dela ainda crianças. Depois do casamento de Rosemira com Leôncio, foi levada para São Luís.
Sua trajetória, seus conhecimentos e sua ligação com a cultura popular exerceram profunda influência sobre Zelinda. Com ela, Zelinda ouviu histórias sobre a família e o Maranhão, aprendeu costumes populares e frequentou mercados e espaços da cidade. Maria Loyola contribuiu diretamente para o desenvolvimento do interesse de Zelinda pela memória oral e pelas narrativas de vida.
Educação doméstica
Prendas, francês e histórias
Zelinda recebeu educação majoritariamente doméstica. Com as tias, aprendeu bordado, ponto de cruz, labirinto, trabalhos manuais e outras prendas domésticas. Teve contato com o ensino de francês e foi submetida a rígidas normas de comportamento social segundo padrões inspirados na cultura francesa.
Em contrapartida, passava grande parte do tempo ouvindo histórias contadas pela avó. Desde cedo conheceu narrativas sobre a própria família, acontecimentos históricos, costumes maranhenses e crenças populares.
Desenvolveu precocemente interesse por relatos de vida, memória oral e histórias de pessoas comuns.
Mercados e cultura popular
A escola da rua
Desde criança, Zelinda frequentava mercados populares de São Luís acompanhando a avó. Convivia com vendedores, pescadores, agricultores, comerciantes, artesãos e trabalhadores urbanos.
Conheceu hábitos alimentares e costumes populares maranhenses. Participava da preparação de doces e alimentos tradicionais. Essa proximidade com os mercados, a culinária e os saberes populares teve forte influência em sua formação.
Colégio Santa Teresa
A escola formal
Zelinda foi alfabetizada no Colégio Santa Teresa, em São Luís, onde permaneceu da alfabetização até o segundo ano primário — aproximadamente dois anos. Teve dificuldades de adaptação ao rígido sistema disciplinar da escola.
Em determinado período, passou a frequentar o regime semi-interno, permanecendo no colégio das 7h às 18h. O ambiente era marcado por forte disciplina religiosa e controle do comportamento das alunas.
Zelinda não cursou o ensino superior. Sua formação ocorreu principalmente de maneira não formal, pela convivência familiar, pela leitura e pelo contato direto com diferentes ambientes culturais.
Os irmãos
A família Castro
Zelinda cresceu ao lado dos irmãos: Armando Machado de Castro, Roselyne Desterro e Silva, Fernando José Machado de Castro, Manuel Machado de Castro e Leôncio de Castro Filho.
A casa na Rua 14 de Julho era um espaço de convivência familiar intensa, onde diferentes gerações, origens e trajetórias se cruzavam cotidianamente.
Uma vida, muitas histórias
Percorra a trajetória de Zelinda Lima, da infância em São Luís ao legado que moldou a cultura popular maranhense.

Nascimento
São Luís do Maranhão
Zelinda Machado de Castro nasceu em 27 de novembro de 1926, em São Luís do Maranhão. Cresceu inicialmente na casa da Rua dos Afogados e, depois, no sobrado da Rua 14 de Julho, número 182, no Centro Histórico de São Luís.
Viveu simultaneamente em dois ambientes culturais distintos. No ambiente familiar, predominavam costumes franceses, forte preocupação com etiqueta, comportamento social e formação doméstica. No ambiente popular, representado principalmente pela avó, teve contato com histórias orais, culinária tradicional, mercados populares e a população comum de São Luís.
Essa convivência entre cultura erudita e cultura popular tornou-se uma das marcas de sua trajetória.

A família — o pai
Leôncio Cid Castro
Seu pai, Leôncio Cid Castro, era um imigrante espanhol oriundo de Pontevedra, na região da Galícia. Imigrou para o Brasil no início do século XX, passando brevemente por Manaus e Belém antes de se estabelecer em São Luís.
Era colecionador de livros e possuía uma biblioteca particular considerável. Zelinda teve acesso aos livros desde a infância, foi incentivada à leitura e estimulada a conhecer diferentes religiões, formas de pensamento e manifestações culturais populares. Conviveu com intelectuais, artistas e pessoas ligadas à cultura maranhense.

A família — a mãe
Rosemira Loyola Machado
Rosemira Loyola Machado veio de Caxias, no interior do Maranhão, para São Luís ainda pequena, acompanhada das tias. Casou-se com Leôncio Cid Castro contra a vontade da família e, após o casamento, mandou buscar sua mãe, Maria Loyola, em Caxias.
Dedicou-se ao lar e à criação dos filhos. Era reconhecida pela paciência, bondade e disposição para ajudar parentes e amigos. Deu à primeira filha o nome Zelinda como lembrança carinhosa de sua tia e mestra.

A avó
Maria Loyola — a maior influência
Maria Loyola era descendente de indígenas e oriunda da região de Nossa Senhora dos Remédios, no Piauí. Foi rejeitada pelo sogro em razão de sua origem social e racial. Viveu parte da vida em condições precárias na Fazenda Engenho d'Água, em Caxias.
Teve dois filhos — Walfredo Machado e Rosemira Machado — que foram separados dela ainda crianças. Depois do casamento de Rosemira com Leôncio, foi levada para São Luís.
Sua trajetória, seus conhecimentos e sua ligação com a cultura popular exerceram profunda influência sobre Zelinda. Com ela, Zelinda ouviu histórias sobre a família e o Maranhão, aprendeu costumes populares e frequentou mercados e espaços da cidade. Maria Loyola contribuiu diretamente para o desenvolvimento do interesse de Zelinda pela memória oral e pelas narrativas de vida.

Educação doméstica
Prendas, francês e histórias
Zelinda recebeu educação majoritariamente doméstica. Com as tias, aprendeu bordado, ponto de cruz, labirinto, trabalhos manuais e outras prendas domésticas. Teve contato com o ensino de francês e foi submetida a rígidas normas de comportamento social segundo padrões inspirados na cultura francesa.
Em contrapartida, passava grande parte do tempo ouvindo histórias contadas pela avó. Desde cedo conheceu narrativas sobre a própria família, acontecimentos históricos, costumes maranhenses e crenças populares.
Desenvolveu precocemente interesse por relatos de vida, memória oral e histórias de pessoas comuns.

Mercados e cultura popular
A escola da rua
Desde criança, Zelinda frequentava mercados populares de São Luís acompanhando a avó. Convivia com vendedores, pescadores, agricultores, comerciantes, artesãos e trabalhadores urbanos.
Conheceu hábitos alimentares e costumes populares maranhenses. Participava da preparação de doces e alimentos tradicionais. Essa proximidade com os mercados, a culinária e os saberes populares teve forte influência em sua formação.

Colégio Santa Teresa
A escola formal
Zelinda foi alfabetizada no Colégio Santa Teresa, em São Luís, onde permaneceu da alfabetização até o segundo ano primário — aproximadamente dois anos. Teve dificuldades de adaptação ao rígido sistema disciplinar da escola.
Em determinado período, passou a frequentar o regime semi-interno, permanecendo no colégio das 7h às 18h. O ambiente era marcado por forte disciplina religiosa e controle do comportamento das alunas.
Zelinda não cursou o ensino superior. Sua formação ocorreu principalmente de maneira não formal, pela convivência familiar, pela leitura e pelo contato direto com diferentes ambientes culturais.

Armando Machado de Castro

Roselyne Desterro e Silva

Manuel Machado de Castro

Fernando José Machado de Castro

Leôncio de Castro Filho
Os irmãos
A família Castro
Zelinda cresceu ao lado dos irmãos: Armando Machado de Castro, Roselyne Desterro e Silva, Fernando José Machado de Castro, Manuel Machado de Castro e Leôncio de Castro Filho.
A casa na Rua 14 de Julho era um espaço de convivência familiar intensa, onde diferentes gerações, origens e trajetórias se cruzavam cotidianamente.
Explore o universo de Zelinda
Vida, obra e memória reunidas — escolha por onde começar.
Trajetória
1926 — 2026
Do nascimento ao centenário.
100
anos de vida em fotografias.
Obras
7 livros sobre a cultura do Maranhão.
Registrar a cultura do povo para que o tempo não apague o que somos.O legado de Zelinda Lima
Galeria
Fotos, manuscritos e documentos.
★ Obra-primaPecados da Gula
O clássico da culinária maranhense — na loja de livros.
Cargos
Cultura, turismo e patrimônio.
Sua dedicação à causa da cultura popular maranhense (…) acabou por confundi-la com as manifestações mais autênticas da alma maranhense. Hoje Dona Zelinda já alcançou (…) o patamar de patrimônio vivo do Maranhão.Fábio Gomes, na apresentação de Pecados da Gula
Centenario - 2026
Depoimentos
Memórias de quem conheceu, pesquisou, conviveu ou foi marcado pelo trabalho de Zelinda Lima ao longo de décadas.
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Exemplo
"Uma vida inteira dedicada a memoria de um povo."
Zelinda Lima
Pesquisadora - Sao Luis

Carlos de Lima
Carlos de Lima, marido de Zelinda, foi escritor, historiador e folclorista, imortal da Academia Maranhense de Letras e membro do Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão. Falecido em 2011, construiu ao lado de Zelinda uma trajetória dedicada à pesquisa, à preservação e à valorização da história e da cultura popular maranhense. Juntos, reuniram um vasto acervo documental sobre o Maranhão e suas tradições, constituindo um importante legado para a memória cultural do estado.
- Leôncio Cid Castro Neto (Netinho) (in memoriam)
- Álvaro Eduardo de Castro e Lima
- Carlos Danúzio de Castro e Lima
- Pablo Rodrigo de Castro e Lima
- Fábio José de Castro e Lima
- Deborah de Castro e Lima Baesse (in memoriam)
Obras em destaque

Azulejos de Fachadas em São Luís do Maranhão

Catálogo de Azulejos das Cidades Históricas do Maranhão

Inventário do Patrimônio Azulejar do Maranhão














